FAROL - PONTA DA FERRARIA - SÃO MIGUEL - AÇORES

Assim mais ou menos 7kms depois de Candelária e a caminho de Ginetes aparece uma indicação de "Farol da Ferraria". Claro que queremos ir ver!
Deixar a estrada principal não é problemático, o caminho até ao farol é curto e perfeitamente transitável. Talvez um pouco estreito em momentos de maior afluência. Tem espaço para estacionamento, para poucas viaturas, mas tem.
Depois é sair do carro, ler a informação escrita disponível que conta o percurso histórico deste equipamento, dar a volta e apreciar aquela imensidão de água que este gigante alcança.



Ponta da Ferraria - São Miguel - AÇORES



O maior farol e o segundo mais antigo do arquipélago dos Açores. 
Foi construído em 1901, altura em que a iluminação elétrica não era ainda nem pensada por estes lados.
Nunca tinha pensado nisto. Como seria que funcionava um farol antes das lâmpadas incandescentes?
Pesquisei especificamente para este farol e encontrei.
A primeira forma de iluminação foi a luz de uma lanterna alimentada a óleo e aumentada por lentes fortes. A intermitência da luz era garantida por um mecanismo de relógio ao qual o faroleiro se encarregava de dar corda regularmente.
Mais tarde, com a chegada da corrente elétrica de abastecimento público, foi possível alimentar o mecanismo de relógio e libertar o faroleiro de mais essa obrigação.
Hoje em dia a sua luz potente é visível a 50 kms da costa. Perdeu-se o romantismo de uma lanterna a óleo e da rotina de manter o mecanismo de relógio a funcionar e ganhou-se uma infraestrutura moderna, fundamental para a navegação nesta região Atlântica.



Ponta da Ferraria - São Miguel - AÇORES



Dados técnicos:
Construção: 1901
Eletrificação: 1957
Automatização: 1998
Altura: 18m
Altitude: 107m
Alcance: 27 milhas (50kms)
Período: 20 segundos



Ponta da Ferraria - São Miguel - AÇORES



Quando o portão está fechado e a gente não consegue entrar, vão-se lendo as placas..


Ponta da Ferraria - São Miguel - AÇORES



Não que não houvesse ainda muito para ver, mas não podemos deixar de reparar na construção adjacente ao farol.
É exactamente o que parece e serve ou serviu exactamente para o que suspeitamos que serviria, residência de duas famílias de faroleiros.
Forma muito correcta de manter o funcionamento permanente de um equipamento distante e isolado, digo eu.



Ponta da Ferraria - São Miguel - AÇORES



Açores, pois claro!
É só virar as costas ao farol e é isto.

Ponta da Ferraria - São Miguel - AÇORES





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IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS CANDEIAS - CANDELÁRIA - AÇORES

É uma quarta-feira e falta um bocadinho para as onze da manhã e a porta da igreja está aberta para quem a quiser visitar.
Lá dentro um senhor muito simpático convida a entrar e, muito solícito, acende as luzes para vermos melhor.
Açores é território de fenómenos naturais que derivam também do caracter das suas gentes e não só das entranhas da terra.


Igreja de Nossa Senhora das Candeias - Candelária - São Miguel - Açores - PORTUGAL



Mais antiga que o próprio lugar, há registos desta igreja anteriores a 1535.
Os sucessivos terramotos obrigaram a reconstruções sucessivas e do edifício original já nada resta.
O monumento que agora visitamos é o resultado da reconstrução das últimas duas décadas do século XIX.
A devoção a Nossa Senhora das Candeias acabou por dar o nome à freguesia, Candelária.



Igreja de Nossa Senhora das Candeias - Candelária - São Miguel - Açores - PORTUGAL


Altar lateral dedicado à imagem do Sagrado Coração de Jesus 


Igreja de Nossa Senhora das Candeias - Candelária - São Miguel - Açores - PORTUGAL


Altar lateral dedicado a Nossa Senhora de Fátima.


Igreja de Nossa Senhora das Candeias - Candelária - São Miguel - Açores - PORTUGAL


Altar lateral dedicado a Santa Teresinha de Lisieux.


Igreja de Nossa Senhora das Candeias - Candelária - São Miguel - Açores - PORTUGAL


Imagem da Padroeira pintada no tecto junto ao altar Mor.


Igreja de Nossa Senhora das Candeias - Candelária - São Miguel - Açores - PORTUGAL




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LARGO DA IGREJA - CANDELÁRIA - SÃO MIGUEL - AÇORES

Sempre à beira mar, 6 kms depois de Feteiras encontramos Candelária.
Este povoado disperso é mencionado neste local desde o século XV. No século XIX chegou a ser tão grande como a cidade da Ribeira Grande. Mas a precariedade dos ganhos e a vida difícil da agricultura afastaram daqui muitos que procuraram melhores dias emigrando.
Os que ficaram vivem do cultivo de inhame e das árvores de fruto e habitam casas tradicionais. 
Andávamos nós à procura de um lugar para estacionar quando alguém vislumbrou no alto de um pico uma igreja. Subimos e fomos dar a um largo com coreto e à dita igreja. Agora sim, vamos estacionar, que temos muito que ver



Largo da Igreja - Candelária - São Miguel - Açores - PORTUGAL


Saímos da igreja a comentar o quanto é harmoniosa, o quanto está bem situada neste ponto alto da freguesia, o quanto foi simpático o Senhor que nos foi acender as luzes para vermos melhor... agora há que deitar um último olhar e seguir viagem.
A Oeste temos o mar que, para já, não está nos nossos planos. 
A Este Feteiras de onde acabámos de vir. 
A Nordeste Sete Cidades onde havemos de ir mas num dia de sol descoberto. 
A Norte Ginetes onde está prometido um miradouro e um farol.
Siga para a freguesia de Ginetes!



Largo da Igreja - Candelária - São Miguel - Açores - PORTUGAL




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CANDELÁRIA - SÃO MIGUEL - AÇORES

No dia da Senhora das Candeias sobe ao outeiro e põe-te a espreitar.
Se a Candelária rir está o Inverno para vir.
Se a Candelária chorar está o Inverno a acabar.
Tradução para os mais modernos:
Acreditavam os antigos que a 2 de Fevereir, se fizesse sol, ainda estava o Inverno para vir, se chovesse, o pior do Inverno já tinha passado.
Se ainda fosse como era dantes... talvez.








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FETEIRAS / FOTOS - SÃO MIGUEL - AÇORES

O dia acordou como acordam muitos dias aqui nos Açores, cinzento.
O Senhorio do nosso apartamento muito simpaticamente aconselhou que fôssemos até às Furnas já que tinha vindo do lado das caldeiras do interior da ilha e não se via nada. "Hoje que está encoberto, está mesmo bom é para ir até às Furnas" - dizia Ele. Agradecemos e dirigimo-nos ao carro decidindo exactamente o contrário, isto é, cumprir o itinerário que levávamos programado.
Programa numa mão e telemóvel com GPS ligado na outra, 15 kms depois estávamos no nosso primeiro destino, Feteiras.
Encontrar Feteiras foi fácil, agora, encontrar o acesso às piscinas naturais, já nem tanto.
Deixámos a tecnologia e recorremos ao método antigo e tradicional de perguntar. 
As respostas foram sendo sempre prontas e muito solicitas, porém, contraditórias. Entre o "é virar ali abaixo à direita e encontra" e o "isso não é aqui é na Ferraria e estão em manutenção", inventámos caminhos, metemos por ruelas estreitas e íngremes, invertemos marcha, mas nunca desistimos e cá chegámos.

Feteiras - São Miguel - Açores - PORTUGAL

Viemos até aqui para ver as famosas piscinas oceânicas naturais em que a água quente da piscina se mistura com a água mais fria que vem do mar em uma ou outra onda mais ambiciosa que galga as rochas. Mas parece que o mar no inverno se porta um bocadinho mal e destrói a tal piscina. 
Assim, se alguém quiser comprovar as virtudes balneares deste lugar, será melhor esperar pelo início da época de banhos, altura em que as obras de manutenção já hão-de estar concluídas e em que até o nadador salvador vai estar presente.
Deixemos o senhor da máquina trabalhar e voltemos à estrada para o nosso próximo destino.


Feteiras - São Miguel - Açores - Portugal




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FETEIRAS - SÃO MIGUEL - AÇORES

A nossa primeira paragem!
Quando ainda não sabíamos a diferença entre uma Brisa e uma Kima, quando a bitola do bife ainda não se media pelo sabor e a tenrura do que se come na Associação Agrícola, quando ainda nos faltava experimentar o quanto são doces os ananases e provar todas as queijadas e sobremesas, quando ainda só vimos uma ou duas vacas mas ainda não as tínhamos sentido ( se ao menos elas comessem sabonete!), quando está cumprido apenas o primeiro dos muitos miradouros previstos no nosso roteiro, quando ainda não sabíamos o que significava descer à Ponta do Arnel ou aportar no ilhéu de Vila Franca, quando... Ah, isso fica para as cenas dos próximos capítulos.






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