JAPÃO - KYOTO - FESTIVAL AOI - NORIJIRI

Trata-se aqui de evocar aquele período da história do Japão em que todos se uniram, a pedido do Imperador, para agradar aos Deuses e serenar a força da natureza.
A cavalo vêm os que representam os mensageiros enviados aos templos para transmitir a vontade Imperial.
JAPÃO - Kyoto - Festival Aoi
As primeiras figuras do desfile são os cavaleiros Norijiri. 
Estes cavaleiros antes de tomarem parte do desfile, competem numa corrida que tem lugar aqui na cidade no início do mês de Maio.

JAPÃO - Kyoto - Festival Aoi








JAPÃO - KYOTO - FESTIVAL AOI - O ANTES, O DURANTE E O DEPOIS

 Estamos na alameda principal do Palácio Imperial de Kyoto para assistirmos ao Festival de Aoi.
Assim, de repente e para começar, sai um conselho para o momento de fazer a mala. Se vai ao Japão e tem previsto assistir a um festival, então leve chapéu.

JAPÃO - Kyoto - Festival Aoi
Contava a nossa guia até aqui chegarmos que o povo de Kyoto gosta muito de festivais e que este é um dos três festivais que existem por ano na cidade.
Quando por cá se fala em festival, nós sabemos do que estamos a falar mas no Japão...
Uma alameda larga, umas quatro a cinco filas de cadeiras numeradas maioritariamente ocupadas por turistas, atrás deles em pé os habitantes locais e achamos que já vamos percebendo o que se vai passar.
Lá ao fundo já se vão preparando os marchantes e os animais. À frente deles todos vêm estes senhores a dar abertura ao cerimonial.


JAPÃO - Kyoto - Festival Aoi
Acordámos cedo como de costume, viemos até à alameda principal do Palácio Imperial de Kyoto, procurámos o número da nossa cadeira e sentámos para ver o Festival Aoi.
Já lhes dissemos que é boa ideia levar chapéu. E também é bom dizer que, se forem até lá, para assistir a este desfile, tem que ser dia 15 de Maio.
Já agora, se quer tirar boas fotos, tente reservar uma cadeira na primeira fila. As cadeiras estão todas ao mesmo nível e, se não costuma ter muita sorte nestas coisas, pode ser que só consiga ver o cucuruto dos andores. É que estamos num país onde as pessoas são ordeiras e não se levantam para tirar a melhor foto porque ficam na frente dos restantes, mas os turistas...

Caso contrário, pode levantar-se, sair para trás da zona de cadeiras, usar um bom zoom e vai conseguir mas, nesse caso, não vale a pena pagar a cadeira, claro! 

JAPÃO - Kyoto - Festival Aoi
 Para além dos ramos de malva-rosa na cabeça, dos homens a cavalo, das suas vestes coloridas, dos arranjos florais que enfeitam os andores, do empenho e seriedade com que todos participam neste desfile procissão, o que os turistas ocidentais talvez mais estranhem, é que tudo isto se passa em silêncio, em profundo silêncio.
Nem uma banda a tocar, nem um violino, nem uma arpa, nem uma instalação sonora, nem um toque de gongo! Nada!
São mais de 600 marchantes de todas as idades sempre em silêncio.

JAPÃO - Kyoto - Festival Aoi

Flores, muitas flores. Estamos em Maio, a época delas.
Chamemos-lhe nós Aoi, gerânios, ou sardinheiras, o importante é que cumprem a sua missão, acalmar os Deuses e as forças da natureza.
JAPÃO - Kyoto - Festival Aoi

No final do desfile batem-se palmas, pois claro! A devoção, o empenho, a compostura,, os trajes, os enfeites, a simbologia, tudo vale as nossas palmas.
Mas não muitas, que tudo foi em silêncio e sente-se a gente pouco à vontade para grandes entusiasmos.
Quanto tempo tudo isto levou a montar não sabemos mas o desmontar começou na primeira cadeira logo que os últimos marchantes ali passaram.
Não perdemos tempo, não demorámos quase nada e, quando chegámos ao início da alameda já as cadeiras estavam desmontadas e empilhadas.
A trabalhar assim, até pode ser feito um festival todos os dias.
JAPÃO - Kyoto - Festival Aoi
Os sereníssimos marchantes e os sereníssimos espectadores voltam serenamente às suas vidas no seu traje tradicional, o quimono. Hoje foi dia de festa. Serena, silenciosa, mas cheia de significado.
JAPÃO - Kyoto - Festival Aoi

JAPÃO - KYOTO - FESTIVAL AOI - HISTÓRIA

Entre os anos de 539 e 571 sofreu o Japão uma série de intempéries e catástrofes naturais que destruíram as culturas de grãos, sobretudo de arroz, que é alimento base da alimentação aqui para estes lados.
Convencido que era castigo divino, o Imperador mandou os seus mensageiros aos templos a pedir orações e actos de devoção para acalmar a fúria divina e rezar por colheitas abundantes.
As provas de devoão tinham que ser muitas e difíceis como, por exemplo, montar um cavalo já a galope
 
JAPÃO - Kyoto - Festival Aoi
Os tempos andavam ruins, as intempéries eram muitas e as colheitas perdiam-se todas. Os Deuses andavam zangados dizia o Imperador e mandou que os seus mensageiros se dirigissem aos templos e que pedissem orações e actos de bravura que agradassem aos Deuses.
Hoje já não se montam cavalos já em passo de galope, mas os cavalos continuam a estar presentes neste desfile evocativo das homenagens que o povo fez aos seus Deuses por um tempo e uma colheita melhor
JAPÃO - Kyoto - Festival Aoi

Estamos a visitar: JAPÃO FASCINANTE 

JAPÃO - KYOTO - FESTIVAL AOI

Entre os anos de 539 e 571 sofreu o Japão uma série de intempéries e catástrofes naturais que destruíram as culturas de grãos, sobretudo de arroz, que é alimento base da alimentação aqui para estes lados.

Convencido que era castigo divino, o Imperador mandou os seus mensageiros aos templos a pedir orações e actos de devoção para acalmar a fúria divina e rezar por colheitas abundantes.

Salvaram-se as colheitas e não mais deixou de se fazer esta espécie de procissão.
Actualmente, aquilo a que locais e turistas assistem é a um desfile evocativo deste acontecimento já distante no tempo.





Estamos a visitar: JAPÃO FASCINANTE 


JAPÃO - KYOTO - HOTEL MONTEREY - CAPELA DE SÃO SIMÃO

Indicavam as setas nas tabuletas... quero dizer... estamos no país da tecnologia, não há tabuletas há tablets. Sim senhores! Pelo hotel fora iam havendo tablets que indicavam para onde ficavam os espaços comuns de interesse. Salas de jantar, salas de pequenos almoços, estúdio fotográfico e capela. Foi só seguir as setas das tabuletas, quero dizer, dos tablets e encontrámos a capela.

Como a porta está apenas encostada, estamos todos convidados a entrar.
JAPÃO - Kyoto - Hotel Monterey

Surpreendente é o facto de estarmos num país que se devota ao xintoísmo em vida, se entrega ao budismo na morte e depois, dentro de um hotel, apresenta-se um templo cristão com órgão, vitrais e tudo mais que uma capela deve ter, inclusivamente Santo Padroeiro. Esta é dedicada a São Simão.
JAPÃO - Kyoto - Hotel Monterey

Os vitrais não são especialmente importantes, o órgão não se classifica pelo número de tubos, mas não deixa de ser surpreendente o que é que faz uma capela num pátio interior de um hotel no centro da cosmopolita cidade de Kyoto!


Tenho procurado muito sobre a história deste edifício, mas há perguntas que devem ser feitas na recepção.
JAPÃO - Kyoto - Hotel Monterey

Indicavam as tabuletas... quero dizer os tablets, o caminho para a capela, para o estúdio fotográfico... Com capela, estúdio fotográfico e um átrio destes está-se mesmo a ver que é a armar ao casamento mas, será que há tantos casamentos cristãos assim?


Mais perguntas que deveriam ter sido feitas na recepção em vez de estar para aqui com especulações.
JAPÃO - Kyoto - Hotel Monterey

JAPÃO - KYOTO - HOTEL MONTEREY****


Chegámos aqui mais ou menos dez minutos antes das nove da noite, sob chuva, algum vento e sob a ansiedade contida da nossa guia.
O jantar tinha sido antecipado, as bagagens tinham seguido para os quartos enquanto jantávamos para que não se perdesse tempo. O recado era tentar o mais possível estar no hotel antes que batessem as nove da noite, até porque o motorista ainda tinha que ir arrumar o autocarro.

Tudo correu como previsto. Entrámos no hotel antes das nove da noite, as malas estavam já nos quartos e a ordem era recolher e não sair do hotel por razão nenhuma. Havia um ciclone que tinha feito muitos estragos lá para o sul, mas que já estáva devidamente monitorizado e sabia-se que havia de chegar e estar activo entre as 21 e as 23 horas.

Antes de subir ao 12º andar, só tivemos tempo de deitar um olhar de soslaio às potentes máquinas que se viam da porta entreaberta da garagem.

Esperemos então pelo dia de amanhã para explorar um hotel em que as únicas cápsulas que existem serão comprimidos.
JAPÃO - Kyoto - Hotel Monterey****

Subimos ao 12º andar de cartão na mão, como de costume e, de repente, é isto, LADIES FLOOR! Como?... Nem no mais profundo Egipto se encontrou tal coisa!
Vem a gente para o país conhecido pelas suas relações liberais e depois é isto, menino não entra!

Afinal e no fim de contas, aquele cartão que era só para abrir a porta do quarto é também o cartão que abre a porta de acesso ao corredor dos quartos das ladies, não vá algum distraído sair do elevador e querer entrar num espaço que não é o seu género.

Os andares eram muitos e não os percorremos todos, mas não se nos constou que houvesse men's floor.

Preplexas pela descriminação de género, entusiasmadas pela presença de um ciclone vivido em segurança, tolhidas pelo jet leg, entremos no nosso ladies room.

JAPÃO - Kyoto - Hotel Monterey****
 Às vezes a gente faz a mala e esquece-se de coisas. O conselho a quem vá ao Japão é: deixe coisas em casa!
Já tinhamos percebi alguma diferença para melhor no primeiro hotel em Osaka mas este vai ainda mais além naquilo que é pensar no que o hóspede pode precisar.

Em cima da cama este roupão de banho, para o banho um necessaire para cada hóspede cheio de produtos e objectos descartáveis, depois do banhinho, um pijama para os naturalmente esquecidos. Ora mas para que vai a gente carregada se eles pensam em tudo?

Abrir gavetas nestes quartos está a tornar-se uma actividade cada vez mais emocionante!
JAPÃO - Kyoto - Hotel Monterey****

A noite passou e o ciclone também.
Este último, o ciclone, passou pontualmente como estava previsto entre as 21 e as 23 horas.

Resistimos à tentação de abrir a janela mas não resistimos à tentação de assomar cá do lado de dentro. O barulho é potente e medonho. A gente sente-se como se tivesse pedido abrigo ao porquinho mais inteligente dos três e que construiua casa mais resistente, mas a ver o lobo mau a rondar.

Vimos televisão para tentar perceber para onde é que ele se dirigia mas, nada feito. Não se percebe nem o que se diz, nem o que se escreve e a meteorologia não tem símbolos.
Como sempre, depois da tempestade vem a bonança e o dia seguinte acordou soalheiro. Agora sim, é hora de explorar um hotel que tem setas a indicar capela e estúdio fotográfico
 
JAPÃO - Kyoto - Hotel Monterey****

Boas vindas, em Japonês, mas de forma a que toda a gente perceba.
JAPÃO - Kyoto - Hotel Monterey****


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