Ki = vestir; mono = coisa Esta coisa de vestir, manda a tradição que seja usada com preceito.
Cores escuras e lisas para os homens, tons pastel e padrões simples para as mulheres casadas e cores garridas com padrões exuberantes para as solteiras, a combinar com os adornos do cabelo.
Manga de aba quase inexistente para os homens, mediana até à altura da cintura para as mulheres e comprida a chamar a atenção e a realçar a silhueta das moças.
Usa-se, por toda a vida e em qualquer ocasião traçado, primeiro à direita e depois à esquerda. A última vez que é vestido, traça primeiro à esquerda e depois à direita e vai para a sepultura.
Aperta com um cinto que por lá se chama obi e apertá-lo é obra de arte para a qual são precisas duas pessoas. As solteiras atam-no em grandes laços e as casadas prendem-no em almofada mas, umas e outras, prendem-no sempre atrás, porque é atrás que as mulheres sérias apertam o seu obi para se distinguirem das outras, as que o apertam à frente e que a sociedade conhece como mulheres de moral distraída.
São vários os apelos às moedas nos templos xintoístas.
JAPÃO - Kyoto - Heian Jingu
Existem umas gavetas numeradas que se abrem com a introdução de uma moeda e de onde saem pequenas mensagens de sorte... ou nem por isso.
JAPÃO - Kyoto - Heian Jingu
As graças menos afortunadas ou menos desejadas, ficam penduradas nesta espécie de árvore que bem podia chamar-se a "árvore das (des)graças".
JAPÃO - Kyoto - Heian Jingu
Quem não quiser entregar-se à sorte que lhe calhar num dos papelinhos das gavetas numeradas, pode comprar uma destas placas em madeira, registar o seu pedido e deixar neste escaparate virado para o altar, bem à vista dos Deuses Xintoístas.
JAPÃO - Kyoto - Heian Jingu
Qualquer língua, gatafunho, ou desenho serve para fazer chegar a mensagem aos destinatários.
JAPÃO - Kyoto - Heian Jingu
Seja para fazer o pedido em silêncio em frente ao altar, seja para fazer abrir a gaveta dos papelinhos da sorte, seja para conseguir uma destas plaquinhas em madeira, a sorte só vai ser atingida se houver fé, trabalho e moedas no bolso. Lição compreendida!
JAPÃO - Kyoto - Heian Jingu
Existem em todos os templos xintístas e são nada mais, nada menos, que barris de saquê.
Os produtores de saquê fazem dádivas de barris ao templo, os monges engarrafam-nos em pequenas porções e vendem-no como saquê sagrado Quem visita, pelo sim, pelo não, é melhor trazer alguma garrafinha, talvez ajude a concretizar a graça pedida e de certeza que ajuda à sobrevivência da comunidade do templo.
Terminamos a tarde do nosso segundo dia no Japão num templo xintoísta.
Depois de vários templos budistas entramos agora no templo da religião com que os japoneses celebram as cerimónias mais importantes da vida.
JAPÃO - Kyoto - Heian Jingu
Antes de entrar num templo budista recebem-se os fumos dos bons espíritos e antes de entrar num templo xintoísta lavam-se as mãos para nos purificarmos de maus pensamentos, maus actos, para entrarmos de alma limpa.
Pegando na concha de bambu, primeiro lava-se a mão esquerda, do lado do coração, depois a direita e, por fim, inclina-se a concha de forma a lavar o cabo da concha onde pegámos com as mãos ainda impuras. Agora já podemos entrar.
JAPÃO - Kyoto - Heian Jingu
A maioria dos japoneses professa duas religiões, o xintoísmo protege os eventos da vida e o budismo protege a vida para além da morte.
A apresentação das crianças recém nascidas à comunidade faz-se num templo xintoísta, quando a criança entra na escola é abençoada pelo xintoísmo, quando vai fazer os exames reza no templo xintoísta e, quando termina os estudos, agradece e pede um bom emprego, quando compra uma casa, chama o monge xintoísta para abençoar a casa, ou o terreno onde a vai construir e é também o monge xintoísta que o casa quando chegar o momento.
Assim será até ao momento do juízo final. Só nessa altura se chamará um monge budista.
JAPÃO - Kyoto - Heian Jingu
Não é permitido recolher imagens do altar dos templos xintoístas.
O fiel chega, atira uma moeda, bate palmas duas vezes, faz o seu pedido em recolhimento, bate de novo duas palmas, faz vénia e sai.
Pelo sim, pelo não, é isto que muitos turistas fazem também, independentemente da crença que tragam
JAPÃO - Kyoto - Heian Jingu
Vestir um kimono está ao alcance de qualquer turista, o que lhes falta são os passos curtos, os olhos rasgados, a pele clara e saber apertar o obi mas, as fotografias vão ficar sempre bem
JAPÃO - Kyoto - Heian Jingu
Chega assim ao fim a tarde deste nosso segundo dia de viagem ao Japão. Terminamos neste templo xintoísta que nos abre o saber e a sensibilidade para visitar os que ainda nos faltam
Purificar as mãos e a alma, lançar uma moeda, bater palmas para chamar os Deuses e orar em recolhimento, abrir uma gabeta e tirar um papelinho da sorte, deixar um pedido numa plaquinha de madeira virado para o altar e trazer uma garrafinha de saquê sagrado.
Até podemos sair com menos moedas do que entrámos, mas vimos com certeza mais ricos.
Dizia o programa que hoje é almoço em restaurante típico local.
Entrámos, subimos a escada, descalçámos os sapatinhos, arrumámos num cacifo e agora já podemos pisar o chão de tatami da sala de refeições.
Mesa posta, ambiente musical a condizer, sala muito clara, só falta mesmo saber manobrar os pauzinhos.
JAPÃO - Kyoto
No restaurante estava tudo a rigor à nossa espera.
A sala é muito clara, o ambiente musical estava criado, a mesa estava posta e já com alguma comida disponível.
Havia tempura de legumes e de peixe que os portugueses, por onde quer que passam, deixam marca e aqui, no Japão, a pegada gastronómica que deixámos foi importante.
A incógnita era: O que estará dentro da caixinha? Para que é que iriam ser usadas as velas das lamparinas?
Sentemo-nos no banquinho corrido baixinho que acompanha a mesa e, para já, demos graças a Deus por não termos que comer de joelho no chão sentados sobre os calcanhares.
JAPÃO - Kyoto
Abre-se a caixinha e... Sushi! Finalmente Sushi e Sashimi!
À quarta refeição e depois de tanto templo já visitado a cultura chega também à culinária.
Não vale a pena clamar por pão nem por bacalhau. O que temos na nossa frente é Sushi e de autêntico.
A questão não está no pão nem no bacalhau, está em como é que isto se come com dois pauzinhos. Se ao menos tivessem um elástico para ajudar...
Vale sempre a pena pedir um garfo, nem que mais não seja, para comprovar que sushi não foi feito para ser comido com garfo e, já agora, para ver o ar de desilusão estampado no rosto dos sempre sorridentes japoneses.
Se uma pomba que é símbolo da paz vive mais de dez anos, uma tartaruga vive durante mais de cem anos. Assim se explica a admiração que o povo japonês nutre pelas tartarugas desde há já vários séculos.
JAPÃO - Kyoto - Castelo Nijo
Neste Lago das Tartarugas, cada pedra representa uma.