JAPÃO - KYOTO - HOTEL MONTEREY - CAPELA DE SÃO SIMÃO

Indicavam as setas nas tabuletas... quero dizer... estamos no país da tecnologia, não há tabuletas há tablets. Sim senhores! Pelo hotel fora iam havendo tablets que indicavam para onde ficavam os espaços comuns de interesse. Salas de jantar, salas de pequenos almoços, estúdio fotográfico e capela. Foi só seguir as setas das tabuletas, quero dizer, dos tablets e encontrámos a capela.

Como a porta está apenas encostada, estamos todos convidados a entrar.
JAPÃO - Kyoto - Hotel Monterey

Surpreendente é o facto de estarmos num país que se devota ao xintoísmo em vida, se entrega ao budismo na morte e depois, dentro de um hotel, apresenta-se um templo cristão com órgão, vitrais e tudo mais que uma capela deve ter, inclusivamente Santo Padroeiro. Esta é dedicada a São Simão.
JAPÃO - Kyoto - Hotel Monterey

Os vitrais não são especialmente importantes, o órgão não se classifica pelo número de tubos, mas não deixa de ser surpreendente o que é que faz uma capela num pátio interior de um hotel no centro da cosmopolita cidade de Kyoto!


Tenho procurado muito sobre a história deste edifício, mas há perguntas que devem ser feitas na recepção.
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Indicavam as tabuletas... quero dizer os tablets, o caminho para a capela, para o estúdio fotográfico... Com capela, estúdio fotográfico e um átrio destes está-se mesmo a ver que é a armar ao casamento mas, será que há tantos casamentos cristãos assim?


Mais perguntas que deveriam ter sido feitas na recepção em vez de estar para aqui com especulações.
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JAPÃO - KYOTO - HOTEL MONTEREY****


Chegámos aqui mais ou menos dez minutos antes das nove da noite, sob chuva, algum vento e sob a ansiedade contida da nossa guia.
O jantar tinha sido antecipado, as bagagens tinham seguido para os quartos enquanto jantávamos para que não se perdesse tempo. O recado era tentar o mais possível estar no hotel antes que batessem as nove da noite, até porque o motorista ainda tinha que ir arrumar o autocarro.

Tudo correu como previsto. Entrámos no hotel antes das nove da noite, as malas estavam já nos quartos e a ordem era recolher e não sair do hotel por razão nenhuma. Havia um ciclone que tinha feito muitos estragos lá para o sul, mas que já estáva devidamente monitorizado e sabia-se que havia de chegar e estar activo entre as 21 e as 23 horas.

Antes de subir ao 12º andar, só tivemos tempo de deitar um olhar de soslaio às potentes máquinas que se viam da porta entreaberta da garagem.

Esperemos então pelo dia de amanhã para explorar um hotel em que as únicas cápsulas que existem serão comprimidos.
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Subimos ao 12º andar de cartão na mão, como de costume e, de repente, é isto, LADIES FLOOR! Como?... Nem no mais profundo Egipto se encontrou tal coisa!
Vem a gente para o país conhecido pelas suas relações liberais e depois é isto, menino não entra!

Afinal e no fim de contas, aquele cartão que era só para abrir a porta do quarto é também o cartão que abre a porta de acesso ao corredor dos quartos das ladies, não vá algum distraído sair do elevador e querer entrar num espaço que não é o seu género.

Os andares eram muitos e não os percorremos todos, mas não se nos constou que houvesse men's floor.

Preplexas pela descriminação de género, entusiasmadas pela presença de um ciclone vivido em segurança, tolhidas pelo jet leg, entremos no nosso ladies room.

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 Às vezes a gente faz a mala e esquece-se de coisas. O conselho a quem vá ao Japão é: deixe coisas em casa!
Já tinhamos percebi alguma diferença para melhor no primeiro hotel em Osaka mas este vai ainda mais além naquilo que é pensar no que o hóspede pode precisar.

Em cima da cama este roupão de banho, para o banho um necessaire para cada hóspede cheio de produtos e objectos descartáveis, depois do banhinho, um pijama para os naturalmente esquecidos. Ora mas para que vai a gente carregada se eles pensam em tudo?

Abrir gavetas nestes quartos está a tornar-se uma actividade cada vez mais emocionante!
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A noite passou e o ciclone também.
Este último, o ciclone, passou pontualmente como estava previsto entre as 21 e as 23 horas.

Resistimos à tentação de abrir a janela mas não resistimos à tentação de assomar cá do lado de dentro. O barulho é potente e medonho. A gente sente-se como se tivesse pedido abrigo ao porquinho mais inteligente dos três e que construiua casa mais resistente, mas a ver o lobo mau a rondar.

Vimos televisão para tentar perceber para onde é que ele se dirigia mas, nada feito. Não se percebe nem o que se diz, nem o que se escreve e a meteorologia não tem símbolos.
Como sempre, depois da tempestade vem a bonança e o dia seguinte acordou soalheiro. Agora sim, é hora de explorar um hotel que tem setas a indicar capela e estúdio fotográfico
 
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Boas vindas, em Japonês, mas de forma a que toda a gente perceba.
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JAPÃO - ORIGAMI

Cheguei à mesa com o meu ar desastrado e logo alguém me disse:
- Cuidado com o origami.
- Origami? O que é um origami? - pois, pode ser pergunta de ignorante mas é para isso que se viaja, para aprender. Também pode ser e é com certeza uma pergunta de quem não fez o trabalho de casa todo. É assim!
JAPÃO - Origami
Lá me explicaram que origami era aquele trabalho de dobragem em papel. Então por que é que os aviões de papel, os chapéus, as caravelas que fazíamos na escola eram dobragens e este é origami? Ninguém ,e soube explicar e a pesquisa ficou para depois de chegar a casa.
Afinal, origami é o nome japonês para uma arte tradicional que não é mais que dobragem de uma folha de papel quadrado ou rectangular, sem uso de tesouras ou qualquer outro objecto cortante, cujo resultado final é um animal, na maioria dos casos aquático.
JAPÃO - Origami
Diz que a tradição já não é bem o que era e o papel original até já pode ser circular e o resultado algo diferente de animal aquático e a técnica já é usada por muitos outros países que não só o Japão.
Pronto, está então explicado, o povo do sushi dobra papel, dá-lhe forma de peixes e chama-lhe origami, o povo dos descobridores dobra papel em forma de aviões e caravelas e dá-lhe o nome de dobragens.
JAPÃO - Origami

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MAIKO E GUEIXA - JOGOS DE SALÃO

Para além da dança, das boas maneiras, de uma conversa simples e de uma presença agradável, a maiko aprende ainda jogos tradicionais que ensina e com os quais entretém os seus convidados... e às vezes perde...
Nada que uma gargalhada, que é linguagem universal, não resolva.

JAPÃO - KYOTO - GION - A ARTE DE SER GUEIXA

Já aprendeu a dançar, a pintar a cara de branco e os lábios de vermelho, já se habituou a dormir pouco e já está acostumada aos puxões de cabelo da cabeleireira uma vez por semana. Já brigou pelo seu lugar lá em casa, na okiya e já ganhou o seu espaço nas recepções aos convidados. Agora já usa quimono de gola branca, já ata o obi de maneira diferente e faz danças mais elaboradas porque aprendeu as piruetas de um leque.
Agora já é geiko!

Era maiko e não podia mas agora é geiko e já pode. 
Já aprendeu a servir à mesa com movimentos precisos e graciosos, já sabe conversar sobre temas banais e dar respostas genéricas quando o tema se complica, já é uma companhia que embeleza e torna agradável qualquer jantar de negócios... já conquistou o direito de poder sentar à mesa.

Uma vez por semana, maiko e geiko vão ao cabeleireiro fazer o seu penteado trabalhoso e dispendioso, que tem que durar apresentável como se estivesse acabado de fazer, até à semana seguinte.
Repuxar o cabelo desta maneira e tão frequentemente tem trazido sérios problemas de saúde a estas profissionais. Manter o formato do penteado exige muitas vezes dormir com a nuca apoiada numa estrutura em madeira que afaste a cabeça do travesseiro.
A vida dura das meninas que um dia decidiram trocar a modernidade pela tradição.
Pergunta inevitável para quem visita o Japão sem ter feito o trabalho de casa todo é: "por que pintam as maiko e geiko o rosto de branco?".
Hoje todos temos luz eléctrica e conseguimos ver bem o rosto das maiko e geiko mas, noutros tempos, à luz da vela, não eram bem visíveis as feições e expressões das profissionais. Então, instituiu-se que pintariam o rosto de branco para serem bem visíveis na penumbra.
Ainda hoje as maiko e geiko pintam o rosto de branco e as restantes mulheres usam cosméticos de muito boa qualidade porque almejam uma pele clara, muito clarinha, quase branca.




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